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A saga do tetra: como Romário e companhia tiraram o Brasil da fila da Copa do Mundo

Depois de 24 anos de espera, o Brasil superou as críticas e o calor dos EUA para conquistar o mundo novamente, liderado pela magia inesquecível de Romário.
Relembre como foi a campanha do tetra!
Betsul

O grito entalado na garganta de milhões de brasileiros finalmente saiu sob o sol do Rose Bowl: "É tetra!". A Copa do Mundo de 1994, sediada nos Estados Unidos, foi o ponto final de um período amargo de 24 anos sem levantar a taça mais cobiçada do mundo.


Nesta matéria, vamos saber um pouco da trajetória épica da Seleção Brasileira rumo ao quarto título mundial. Você vai reviver os bastidores de um time que foi duramente criticado por seu pragmatismo tático sob o comando de Carlos Alberto Parreira, mas que encontrou na genialidade inesquecível da dupla Romário e Bebeto a fórmula perfeita para a glória. Confira!

O peso de 24 anos na fila

Quem viveu a época antes da Copa de 1994 sabe bem: o clima não era nada fácil para a Seleção Brasileira. Já faziam dolorosos 24 anos desde que o time de Pelé havia levantado a taça no México, e a paciência da torcida tinha acabado. 


A cada quatro anos, o Brasil via gerações fantásticas jogarem muito, mas voltarem para casa de mãos vazias. Essa "fila" interminável criou uma sombra pesada sobre qualquer jogador que vestisse a amarelinha nos anos 90. 

O torcedor, já cansado de decepções, não aceitava nada menos que o título, o que forçou a comissão técnica a praticamente blindar o elenco quando chegaram para o Mundial dos Estados Unidos.

A pressão popular e as críticas ao estilo de jogo

Se o brasileiro estava acostumado com o "futebol arte", o técnico Carlos Alberto Parreira e seu braço direito, Zagallo, trouxeram uma ideia bem diferente. Eles apostaram em um estilo mais pragmático, voltado para o rigor tático e uma defesa intransponível, o que gerou muitas críticas.


Para a imprensa e grande parte da torcida, o time de Parreira era burocrático demais. Mas a verdade é que a comissão técnica entendeu que jogar bonito e perder não era mais uma opção. A regra daquela seleção era: não tomar gols. Mesmo com o Brasil inteiro chiando e pedindo um time mais solto, eles mantiveram a frieza e o foco no resultado.

O drama nas Eliminatórias e o chamado salvador de Romário

Pela primeira vez na história, o Brasil correu um risco real de ficar de fora de um Mundial, chegando a perder sua invencibilidade nas Eliminatórias contra a Bolívia, na altitude de La Paz. O desespero bateu, e a vaga ficou para o "tudo ou nada" no último jogo contra o Uruguai, no Maracanã.

Foi aí que a história mudou. Romário, que estava afastado da Seleção Brasileira de 1994 por problemas de indisciplina, foi convocado às pressas após um clamor nacional ensurdecedor. O Baixinho chamou a responsabilidade, fez os dois gols da vitória em uma atuação de gala e selou ali um pacto definitivo com a torcida: ele traria o caneco.

A estratégia de Parreira para vencer a Copa de 1994

Apesar das críticas, o esquema de Carlos Alberto Parreira foi genial na sua simplicidade. Jogando em um 4-4-2 bem amarrado, a estratégia era compactar o time, dar a bola para o adversário quando necessário e matar o jogo em transições rápidas.

Diferente das seleções mágicas (mas vulneráveis) de 82 e 86, esse time não dava espaço para o azar. A tática se apoiava em alguns pilares essenciais:

  • Defesa postada: Os zagueiros não se aventuravam, garantindo a proteção da área.

  • Laterais com freio: Jorginho e Branco (ou Leonardo) não subiam ao mesmo tempo; se um atacava, o outro ficava para cobrir.

  • Passe letal: A transição para o ataque era rápida, feita sob medida para encontrar os artilheiros lá na frente.

Romário e Bebeto na Seleção Brasileira de 1994

Se a defesa garantia lá atrás, na frente, Romário e Bebeto resolviam. Eles formaram uma das parcerias mais incríveis da história das Copas, marcando juntos 8 dos 11 gols do Brasil na campanha. Era a combinação perfeita: a explosão e a genialidade de Romário dentro da área com a movimentação incansável de Bebeto.

Eles chegaram aos EUA voando, no auge de suas carreiras no futebol espanhol, e sobraram em campo. Veja como a dupla foi decisiva na caminhada rumo ao tetra campeonato:

Fase

Adversário

Placar

Quem marcou para o Brasil

Grupos

Rússia

2 x 0

Romário, Raí (pênalti)

Grupos

Camarões

3 x 0

Romário, Márcio Santos, Bebeto

Grupos

Suécia

1 x 1

Romário

Oitavas

EUA

1 x 0

Bebeto

Quartas

Holanda

3 x 2

Romário, Bebeto, Branco

Semifinal

Suécia

1 x 0

Romário

Final

Itália

0 (3) x (2) 0

Decisão nos Pênaltis


O inesquecível jogo contra a Holanda e a comemoração do "embala neném"

Se houve um jogo que testou o coração do brasileiro nessa Copa, foi as quartas de final contra a Holanda. O Brasil venceu por 3 a 2 em um duelo eletrizante. Foi ali que Bebeto eternizou um dos momentos mais icônicos do futebol: o gesto de "embalar um neném" ao comemorar seu gol, homenageando o filho que acabara de nascer.

O Brasil abriu 2 a 0 e tomou o empate, fazendo os fantasmas das Copas passadas voltarem com tudo. Foi preciso muita força mental e uma cobrança de falta histórica do lateral Branco para garantir a vitória e mostrar que o time tinha alma de campeão.

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A consagração na final da Copa de 94 contra a Itália

O palco não poderia ser maior: o estádio Rose Bowl, na Califórnia. Ambas as seleções lutavam para se tornar a primeira tetracampeã mundial da história. O que se viu foi um duelo tático gigantesco entre Parreira e o técnico italiano Arrigo Sacchi, que terminou em um nervoso 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação.

Foi a primeira vez que uma final da Copa precisou ser decidida nos pênaltis. Do outro lado, havia uma lenda chamada Franco Baresi liderando a defesa italiana, o que dificultou muito a vida do ataque brasileiro.

A decisão nos pênaltis, o erro de Baggio e a explosão de alegria

O título veio exatamente quando o craque italiano Roberto Baggio, que havia carregado a Itália nas costas durante todo o torneio, isolou a última cobrança por cima do travessão. 

Naquele instante, Galvão Bueno soltou o antológico grito de "É tetra! É tetra!", e o Brasil inteiro explodiu em lágrimas e abraços.

Até aquele momento, Taffarel já tinha feito a sua parte pegando uma cobrança, e Romário, Branco e Dunga converteram seus chutes com uma frieza assustadora. Ver o capitão Dunga, tão criticado no passado, levantar aquela taça foi a prova definitiva de que o trabalho, o suor e a organização haviam devolvido o Brasil ao topo do mundo.

Gostou de reviver a saga do Tetra? Aproveite para ler também nosso artigo completo sobre como tudo isso começou: a primeira Copa do Mundo da história, sediada no Uruguai em 1930!


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