O futebol moderno nasceu na Inglaterra, mas a relação dos ingleses com a maior competição do esporte é marcada por uma mistura de frustrações e enorme saudosismo. A consagração máxima da equipe nacional ocorreu em um momento único da história do esporte.
A edição da Copa do Mundo sediada no próprio país serviu como o palco perfeito para que a geração de ouro inglesa mostrasse sua força. Sob forte pressão e expectativas irreais, uma equipe pragmática, taticamente inovadora e cheia de talentos individuais gravou seu nome para sempre no panteão do futebol mundial, erguendo a cobiçada taça Jules Rimet. Venha conhecer essa história!
Quantas Copas do Mundo a Inglaterra tem?
A seleção da Inglaterra possui apenas 1 título da Copa do Mundo, conquistado na edição de 1966. O torneio foi sediado no próprio país, marcando a única vez na história em que os ingleses chegaram à grande final e levantaram a taça.
O jejum histórico antes e depois de 1966
Antes da glória em casa, a relação da Inglaterra com o torneio era conturbada. Por disputas políticas e um sentimento de superioridade esportiva por parte da The Football Association (FA), o país recusou-se a participar das três primeiras edições da competição (1930, 1934 e 1938). Quando finalmente estrearam em 1950, sofreram uma eliminação humilhante na fase de grupos, incluindo uma derrota histórica para os Estados Unidos.
Após o título de 1966, o jejum retornou e se mantém até os dias de hoje. Apesar de revelar gerações brilhantes e abrigar a liga nacional mais forte do mundo, os ingleses acumulam decepções. Suas melhores campanhas desde então foram apenas duas chegadas às semifinais, nas edições de 1990, na Itália, e 2018, na Rússia.
A pressão sobre os "inventores do futebol" no cenário global
Sediando o torneio no auge dos anos 60, a seleção sentia o peso de provar sua relevância no esporte que ajudou a criar. O mundo do futebol já havia sido dominado pelo brilhantismo sul-americano de seleções como Uruguai e Brasil, além de potências europeias como Itália e Alemanha Ocidental.
A mídia local e os torcedores exigiam que a taça Jules Rimet ficasse no país berço das regras do jogo, transformando cada partida em uma verdadeira panela de pressão para os atletas e para a comissão técnica.
Como foi a campanha da seleção inglesa na Copa de 1966?
A campanha da Inglaterra na Copa do Mundo de 1966 terminou de forma invicta, com cinco vitórias e um empate em seis jogos. A equipe destacou-se por uma defesa intransponível, não sofrendo nenhum gol em toda a fase de grupos e passando de fase com segurança.
A fase de grupos fechada e a evolução na fase de mata-mata
O início do torneio foi tenso, marcado por um empate sem gols contra o sempre perigoso Uruguai. No entanto, a equipe se ajustou rapidamente nas rodadas seguintes. Com vitórias consistentes por 2 a 0 contra o México e a França, o lendário goleiro Gordon Banks garantiu a classificação no primeiro lugar do Grupo 1 sem ter as redes balançadas nenhuma vez.
No mata-mata, o nível de dificuldade subiu. As quartas de final apresentaram um duelo violento e tenso contra a Argentina, decidido por um gol solitário e marcado pela polêmica expulsão do capitão argentino Antonio Rattín. Já na semifinal, os ingleses encaram a seleção de Portugal, comandada pelo genial Eusébio, vencendo por 2 a 1 na melhor exibição técnica da equipe mandante no torneio.
O que aconteceu na final da Copa de 1966 contra a Alemanha Ocidental?
Na final de 1966, a Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação, após um empate dramático de 2 a 2 no tempo normal. A partida ficou mundialmente eternizada pelo famoso "gol fantasma", validado pelo árbitro a favor da seleção inglesa no tempo extra.
O Estádio de Wembley como palco da consagração da taça Jules Rimet
No dia 30 de julho de 1966, quase 97 mil espectadores lotaram o icônico Estádio de Wembley, em Londres. A atmosfera era eletrizante, com a Rainha Elizabeth II presente nas tribunas de honra, pronta para entregar a cobiçada taça Jules Rimet aos grandes vencedores da tarde.
Para essa batalha final, Alf Ramsey escalou os onze titulares que formariam a formação mais famosa da história do futebol inglês. O time que entrou em campo naquele dia contava com:
Gordon Banks (Goleiro)
George Cohen (Lateral-direito)
Jack Charlton (Zagueiro)
Bobby Moore (Zagueiro e Capitão)
Ray Wilson (Lateral-esquerdo)
Nobby Stiles (Volante)
Alan Ball (Meio-campista)
Martin Peters (Meio-campista)
Bobby Charlton (Meio-campista)
Roger Hunt (Atacante)
Geoff Hurst (Atacante)
O "Gol Fantasma": A polêmica de Geoff Hurst na prorrogação que mudou a história
O tempo normal terminou em 2 a 2, com os alemães empatando o jogo no último minuto regulamentar. O momento decisivo, e o mais controverso da história das Copas, ocorreu aos 11 minutos do primeiro tempo da prorrogação. O atacante Geoff Hurst dominou a bola na área e disparou um chute fortíssimo que explodiu no travessão e quicou no chão.
O árbitro suíço Gottfried Dienst consultou o bandeirinha soviético Tofiq Bahramov, que sinalizou que a bola havia ultrapassado completamente a linha de gol. Até hoje, análises de vídeo e reconstituições digitais não chegam a um consenso definitivo, mas o gol foi validado (fazendo 3 a 2 para a Inglaterra). Minutos depois, Hurst marcaria novamente em um contra-ataque, selando o placar de 4 a 2 e garantindo o título.
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Quem foram as lendas do título inédito da Inglaterra?
O sucesso inglês foi construído por um grupo de craques históricos que entraram para a eternidade esportiva. Destacaram-se o capitão e zagueiro Bobby Moore, o criativo meio-campista Bobby Charlton e o herói da grande final, o atacante Geoff Hurst.
Bobby Charlton: O motor do time e vencedor da Bola de Ouro
Bobby Charlton era o cérebro e o coração da equipe inglesa. Sobrevivente do trágico desastre aéreo de Munique em 1958, ele superou o trauma para se tornar um dos maiores jogadores do século XX. Seu dinamismo no meio-campo, visão de jogo e potentes chutes de longa distância foram fundamentais para o sistema de Alf Ramsey.
Suas atuações brilhantes, especialmente os dois gols marcados na semifinal contra Portugal, garantiram a ele não apenas o título mundial, mas também a prestigiosa Bola de Ouro daquele ano. Charlton era o equilíbrio perfeito entre resistência física e refinamento técnico.
Bobby Moore e a liderança defensiva impecável
Se Charlton era o motor, Bobby Moore era o pilar da equipe. Aos 25 anos, o capitão inglês exibiu uma maturidade impressionante, pautando seu jogo pela antecipação inteligente e botes limpos, sem recorrer à violência. Ele era conhecido por ler as jogadas adversárias antes mesmo delas acontecerem.
O próprio Pelé chegou a declarar que Moore foi o maior zagueiro que ele enfrentou na carreira. A imagem de Bobby Moore sendo erguido pelos companheiros em Wembley, segurando a taça Jules Rimet enquanto limpava as mãos na camisa antes de cumprimentar a Rainha, é o retrato definitivo do cavalheirismo e da glória inglesa no esporte.
Geoff Hurst: O herói improvável e o único hat-trick em finais até 2022
A história de Geoff Hurst é digna de roteiros de cinema. Ele começou a Copa do Mundo no banco de reservas, entrando no time titular apenas nas quartas de final após uma lesão do atacante Jimmy Greaves. Hurst agarrou a oportunidade, marcando o gol da vitória contra a Argentina e garantindo sua vaga até o fim do torneio.
Na final contra a Alemanha Ocidental, ele cravou seu nome na imortalidade ao marcar três gols (um no tempo normal e dois na prorrogação). Durante incríveis 56 anos, Hurst deteve o recorde isolado de ser o único jogador a marcar um hat-trick em uma final de Copa do Mundo masculina, feito que só foi igualado pelo francês Kylian Mbappé na edição de 2022.
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