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O maior mistério do Futebol: o que realmente aconteceu com a Taça Jules Rimet?

Do esconderijo na Segunda Guerra ao roubo no Brasil: a história e o destino não resolvido do troféu mais cobiçado e misterioso do futebol mundial.
Veja o mistério da Taça Jules Rimet
Betsul

Poucos objetos na história do esporte despertam tanta curiosidade quanto a Taça Jules Rimet. Além de sua marca registrada como uma das estatuetas mais belas do futebol, a narrativa que gira em torno da taça é repleta de roubos, esconderijos inusitados e um desfecho que intriga investigadores até os dias de hoje.

Ao conquistar o tricampeonato na Copa do Mundo de 1970, o Brasil ganhou o direito de guardar o troféu em definitivo. No entanto, o que deveria ser o maior símbolo de glória nacional transformou-se em um dos maiores mistérios não resolvidos do país. 

Se você quer entender a história do troféu Jules Rimet, desde a sua criação até o fatídico roubo no Rio de Janeiro, acompanhe a matéria até o final!

A origem e o valor inestimável do Troféu Jules Rimet

Inicialmente, a ideia do troféu não era de ser um item misterioso em que teriam tantas histórias de roubos e segredos, porém um símbolo de união global pelo fim da Primeira Guerra Mundial, caso esse que não levou muito em conta.

Projetada pelo escultor francês Abel Lafleur, a estatueta representava Nice, a deusa grega da vitória, segurando um cálice octogonal.

Quem foi Jules Rimet e por que a taça leva seu nome?

Jules Rimet foi o terceiro presidente da FIFA e o principal idealizador da primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai

A taça recebeu seu nome oficialmente em 1946 como uma homenagem à sua dedicação e liderança para viabilizar o torneio, celebrando o 25º aniversário de sua presidência.

Originalmente, o prêmio era chamado apenas de Victory (Vitória) ou Coupe du Monde. O seu valor inestimável não estava apenas no simbolismo. A peça original pesava 3,8 quilos, media 35 centímetros de altura e era banhada em ouro maciço com uma base de lápis-lazúli, uma pedra semipreciosa de tom azul profundo.

O esconderijo inusitado durante a Segunda Guerra Mundial

A história de sobrevivência do troféu começou muito antes dos grandes roubos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o vice-presidente da FIFA, o italiano Ottorino Barassi, percebeu que a relíquia estava em perigo. 

A Itália havia vencido a Copa de 1938 e o troféu estava guardado em um banco em Roma.

Para evitar que os nazistas confiscassem a taça, Barassi a retirou do cofre secretamente. 

Em uma atitude desesperada, mas genial, ele a escondeu dentro de uma velha caixa de sapatos sob sua própria cama, onde permaneceu intocada até o fim do conflito armado.

O primeiro desaparecimento: o cão herói da Inglaterra

A narrativa do roubo da taça Jules Rimet costuma focar no Brasil, mas o objeto já havia protagonizado um escândalo internacional em terras britânicas.

Como a taça da copa do mundo sumiu em 1966?

Em março de 1966, a Taça Jules Rimet foi furtada durante uma exibição pública no Westminster Central Hall, em Londres. Aproveitando uma brecha na segurança, ladrões arrombaram a vitrine e levaram o troféu, exigindo posteriormente um resgate de £15.000 à Associação de Futebol da Inglaterra.

A Scotland Yard organizou uma força-tarefa, mas a negociação com o intermediário do roubo fracassou, e a peça principal continuou desaparecida, gerando um imenso constrangimento para o país-sede da Copa daquele ano.

Pickles, o cachorro que salvou a honra inglesa

Sete dias após o sumiço, um cãozinho chamado Pickles estava passeando com seu dono, David Corbett, no sul de Londres.

O animal começou a farejar um pacote suspeito enrolado em jornais debaixo de uma cerca elétrica. Para o alívio de uma nação inteira, era o cobiçado troféu. Pickles virou celebridade instantânea, ganhou prêmios, ração vitalícia e até estrelou um filme.

O roubo da Taça Jules Rimet no Brasil: o fim da linha?

A posse definitiva pelo Brasil após a lendária Copa do Mundo de 1970, liderada por Pelé, deveria ser o capítulo final de glória da estatueta. Infelizmente, a história provou o contrário.

A invasão à sede da CBF em 1983 e as falhas de segurança

Na noite de 19 de dezembro de 1983, a sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio de Janeiro, foi alvo de um plano criminoso encabeçado por Sérgio Peralta, um representante de clube que conhecia os bastidores da instituição.

A segurança do local beirava o amadorismo:

  1. Havia apenas um vigia noturno no prédio inteiro.

  2. A taça original estava exposta em uma vitrine de vidro à prova de balas, mas a moldura de madeira ao redor foi facilmente arrombada com um pé de cabra.

  3. Ironicamente, uma réplica sem valor estava guardada em um cofre forte de metal blindado no mesmo edifício.

A lenda da taça derretida

A teoria de que a Taça Jules Rimet foi totalmente derretida e transformada em barras de ouro nunca foi comprovada materialmente pelas autoridades. Especialistas em metalurgia afirmam que derreter o ouro maciço com lápis-lazúli exigiria fornos industriais complexos, tornando a versão do derretimento altamente questionável.

Embora a versão oficial da polícia e a confissão de um dos receptadores apontem para a taça derretida, muitos investigadores independentes acreditam que essa narrativa foi uma tática para encerrar as buscas policiais. 

A complexidade de separar a pedra preciosa do ouro sem equipamentos adequados sugere que a peça pode ter sido vendida intacta para o mercado negro de colecionadores milionários.

O destino dos criminosos envolvidos

Depois de longos anos de histórias de roubo, o final para os brasileiros não foi nada como eles planejaram. Ha quem diga que a taça era até amaldiçoada. 

O mentor Sérgio Peralta, por exemplo, foi preso anos depois, mas morreu de ataque cardíaco na década de 2000. Outros membros da quadrilha foram assassinados misteriosamente em acertos de contas paralelos, levando os supostos segredos sobre o verdadeiro destino da taça para o túmulo.

O que aconteceu com a Taça Jules Rimet afinal?

O paradeiro exato da Taça Jules Rimet permanece um mistério absoluto, não existindo provas concretas de sua existência atual ou de sua destruição. A única peça original confirmada que restou é uma base de mármore azul, descoberta esquecida nos porões da FIFA em Zurique no ano de 2015.

Esta base original continha os nomes dos campeões de 1930 a 1950. Ela havia sido substituída por uma base maior em 1954 para acomodar mais vencedores, motivo pelo qual escapou do furto de 1983.

O legado do troféu e as atuais réplicas pelo mundo

Com a perda da peça original, a FIFA encomendou um novo design, o atual "Troféu da Copa do Mundo", que não é mais entregue definitivamente a nenhum país, não importa quantas vezes vençam.

Hoje, a CBF exibe uma réplica encomendada após 1983. A magia da taça original, tocada pelas mãos de Bellini, Mauro e Carlos Alberto Torres, vive apenas na memória e nos arquivos históricos.

Quer aproveitar o embalo da nostalgia e conhecer um pouco sobre a história da Copa do Mundo? Confira nossa matéria exclusiva sobre todas as bolas oficiais das Copas passadas!

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